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Assistência e Cuidado no Parto das Vacas de Corte

29 nov 2018

Segundo dados do Ministério da Agricultura (MAPA), estima-se que no ano de 2017 o rebanho bovino brasileiro manteve-se com 217,8 milhões de cabeças, sendo aproximadamente 108,5 milhões de fêmeas bovinas. Devido a este alto número de animais, um dos maiores problemas encontrados atualmente na reprodução de vacas, é a distocia de partos, mais conhecida como partos com duração longa ou com alguma dificuldade acrescida. MEE (2012) estima que os custos associados a um parto distócico sejam quatro vezes maiores do que os custos de prevenção e tratamento. Por isso, todos os cuidados com as vacas que estão em entrando em época de parto são necessários e vitais para manter a saúde, tanto da mãe quanto do bezerro que está por vir.

As vacas e novilhas devem ser levadas para um piquete maternidade próximo de sua data de parição, e devem ser monitoradas no mínimo 2 x ao dia, buscando nelas sinais de início de parto como: edema e corrimento vulvar, isolamento do grupo, inquietude, aumento da frequência urinária, entre outros. Em um parto normal, inicia-se as contrações uterinas, o bezerro se posiciona no canal da vagina e uma “bolsa” de liquido fica pendurada para fora e logo é perfurada, esta fase pode durar até 12 horas e por isso todo cuidado e observação é essencial neste momento. Assim que o feto é expulso, há contrações uterinas para separar o útero das membranas fetais que devem ser eliminadas até 12 horas após o parto, caso isso não ocorra, é então considerado como retenção de placenta e devem ser iniciado tratamento com antibióticos e hormônios injetáveis que auxiliam na eliminação dessas membranas.

Em um parto distócico, os principais sinais são: persistência das contrações vigorosas sem visualização do feto em até 30 minutos, aparecimento da “bolsa” com liquido sem rompimento ou mesmo sem o nascimento do bezerro em até 2 horas, inquietude anormal da vaca e evidência de má posição do terneiro. Com a demonstração de um ou mais desses sinais, a intervenção deve ser iniciada e alguns passos importantes devem ser tomados com cuidado: Com luvas e material higienizado, inicia-se a identificação do tamanho do bezerro, assim como a sua posição e a dilatação do osso pélvico da vaca. Caso o bezerro esteja em uma posição diferente da normal, o parteiro deve corrigi-lo com cuidado, colocando-o na posição correta, empurrá-lo e tentar acomodar aos poucos na posição normal. Em seguida, utilizando cordas ou correntes obstétricas que devem ser colocadas acima da articulação do boleto, o bezerro pode ser puxado, sem força exagerada e em movimentos alternados, não podendo superar a força de 2 ou 3 homens e nunca utilizar forças mecânicas, tudo isso visando auxiliar a parição da melhor maneira possível. Logo após o nascimento, deve-se observar a respiração do recém-nascido, pois caso esteja comprometida, é necessário a desobstrução das vias aéreas e massagem na altura do arco costal para que o mesmo volte a respirar normalmente. Casos em que o bezerro seja extremamente grande e não seja possível retirar o feto via tração, deve ser chamado um médico veterinário para a realização de uma cesariana.

Na 3 Marias nascem anualmente em torno de 200 bezerros, entre os meses de junho a dezembro, e a intervenção de partos é mínima, chegando ao máximo de 3% de auxílio por estação de nascimento. Mas tudo isso deve-se ao cuidado que todos os colaboradores têm com as vacas que entram em trabalho de parto. Todos são treinados e orientados a observar o mínimo sinal de início do parto, e qualquer indício evidente de distocia mobiliza-se uma equipe de 2 a 4 para assistência monitorada e possível retirada via manobras obstétricas. Com todo esse cuidado e manejo das vacas e bezerros, a perda de recém-nascidos é zero, evoluindo assim para um crescimento e desenvolvimento saudável dos terneiros e subsequente a isso, vacas mais produtivas e eficientes no rebanho.

Sarah Gisele Fragoso
Médica Veterinária
3 Marias Agronegócios